Sobre um homem preocupado

Nota: Conto inspirado por Matheus Castilho. Ele é o homem de quem eu falo. Vai ver, Rubel fala dele também.



                Em Brasília mora um homem preocupado, mas feliz. Preocupado com o tamanho das ondas do mar-futuro, sem notar que seu barco-presente já é muito resistente. Ele não é um homem qualquer e nunca conseguiu ser. A presença dele preenche e aquece aqueles que nele depositam sua fé-amizade. Ele é um homem tão distinto, que não existem adjetivos suficientes para descrevê-lo. Adjetivos precisam ser inventados.
                Neste homem mora um senhor velho e educado, um pouco carrancudo, mas sábio, que carrega sua alma com as mãos enrugadas. Mas dentro desse mesmo homem, um jovem feliz e poderoso, grande e muito forte, carrega em suas mãos o velho que carrega a alma. Alma insustentavelmente pesada, mas delicada como uma pena.
                Neste homem que mora no coração do Brasil, que também mora no coração de muitos outros homens, neste homem, resiste duas forças totalmente diferentes, antagônicas, mas que conseguem equilibrar todo o seu peito. Peito feito de amor-rebelde.
                Por sua vez, esse homenzinho brasileiro carrega nas mãos uma missão divina, um bálsamo límpido que será levado a muitas pessoas do Atlântico-mundo. Ele guarda no bolso seus sonhos e, nos seus pés, o destino. Ele é – e ele dispensa o predicativo do sujeito.
                Vai homem, entra no barco, hasteei a vela, puxa a ancora e se joga no mar. Se joga no mar tenebroso e misterioso. Você sabe que o Maior comanda também as águas estranhas. E se por acaso você cair no mar e começar a se afogar, tenha certeza, o velho e o jovem que moram em você podem lhe salvar. E se depois de tudo, surgir algum pirata no seu caminho, olhe para o céu e dê um grito. Sua voz é relâmpago para quem não sabe quem é.


Alline Corrêa Frazão – 00h12min – 11/08/16

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