Para o ano que passou

Nota: Ano passado ou ano retrasado - vai depender de quando vocês lerem essa publicação - eu postei uma crônica. Desta vez, ofereço uma simples e humilde poesia. Talvez porque só a poesia tem poder de tampar as feridas assim, com tão poucas palavras. Aliás, eu já escrevi muito nesse ano e vocês bateram recordes de leituras (OBRIGADA). É uma poesia simples, mas tão simples, que me passa até vergonha. Por que vergonha? Eu sou assim, simples como uma formiga que carrega o peso da sua folha até o seu formigueiro. Acompanham-me? Prazer! Esse é/será nosso 2015.



Do ano que passou
Eu tive o tempo que voou,
O amor que não pousou e - esforçadamente - tive
A vida que anualmente o tempo tomou, mas o amor trouxe de volta.

Pra casa, trouxe uma muleta inutilizável
Que tentou acalentar um pé torcido
Mas amassou as mãos esticadas, amável!
Das quinquilharias que a vida põe em nossas bagagens no dia do bem vindo.

Chegar e encontrar o veludo daquela voz
Será a partida para a terra da noz.
Mas a partida não será minha, apesar de partida.
Dos resquícios que poderei encontrar por toda a vida depois da minha, da nossa ida.

Há, ao menos, o alento dos que ficam
Amigos memoráveis e a eterna família
Que nos enchem de alegria, minha ilha,
Por comporem as notas daqueles que vão tecer as presenças do próximo ano.

Além do mais, precisei de três galos cantantes,
Para recolher meus trapos novamente
E o que posso esperar é os mesmos berrantes
Passos de luta, porque eu nunca estive preparada para parar por mim mesma insustentavelmente.

Porém mais quantas agulhas virão?
    + quantas enfermeiras passarão por aquelas salas?
            + gritos e lágrimas salgadas sairão?
                        Este saldo eu não posso somar, apesar de ter marcas daquelas alas.

E a realidade, esse balde de isopor, o que tem a dizer?
Ela que pode ser leve como uma pena,
Mas pode carregar chumbo e romper
Não caberá aos sonhos suprir as fraquezas do real enquanto estamos acordados.

E ao crescimento incalculável depositado no peito
Obrigada a Você
Mas ainda existe muito espaço, aproveito
E peço o que quiser me oferecer - estarei satisfeita - a Sua mercê.

Para o ano que passou: um 'adeus' explícito.
Para o tempo que voou: uma correria vindoura.
Para o amor que não pousou: nada?
E para a vida que o tempo toma e o amor trás de volta, uma cantada discreta:

                                                       Você está linda esta noite!
                                                       Quer dançar comigo?


Alline Corrêa Frazão - 31/12/2014 - 12h27min.


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