Não, senhor.

Nota: Apenas leiam...







   Não mande me calar, não acha que já passamos por esta fase?
   Seus gritos não me assustam mais, não prestarei condolências sempre a sua presença. Desculpe-me se você já não é mais meu herói, devo te contar que descobri que heróis não existem, infelizmente, não existem.
   Agora eu sei, que todos os espinhos que me perfurarem, eu mesma terei que arrancá-los, e curar as chagas abertas, então não me mande me calar.
   Não me mande me calar como se fosse uma criança inconsequente que não tem dimensão dos seus atos. Não mande me calar, porque você já não pode me proteger e aquela criança que corria pela casa, cresceu e mesmo que por vezes ela ressurja na sua frente, quem comanda aquele corpo, agora, é uma mulher, sim, foi isso que você ouviu, uma mulher.
   Então não mande me calar, só porque não estou saltitando palavras do seu agrado, já não posso, porque eu conheci uma parte do mundo, e notei que não dá para agradar a todos.
  Então não mande me calar só porque não desejas ouvi as minhas verdades, não mande me calar apenas porque não estou utilizando seu dialeto, não me mande me calar somente porque desejei andar pelas minhas próprias pernas.
   Adiamos esse momento, mas devo contar ao senhor que crescer dói, mas é inadiável, é inevitável, então não me mande me calar só porque se assustou de ver a criança partir.


Jéssica Pamplona – 12/01/14

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