Ano novo

Nota: E acaba mais um ano... O que dizer de vocês, leitores amados, que agora fazem parte da minha estrada? O que eu posso dizer das conquistas, dos novos e velhos amigos, da família e das perdas? Eu tentei escrever algo diferente, mas foi somente isso que consegui. Foi em 2013, que vi nascer mais esse sonho, Blog amado, GAIOLA VAZIA E INANIA VERBA. E será em 2014 que darei continuidade, ao lado dos meus amigos Matheus e Jéssica, com o intuito de crescermos mais, como pássaros com mesmas asas, mas com sementes novas . Foi através desse Blog que descobrimos tantas gaiolas, mas que libertamos tantos pássaros ao passo que, fomos irradiados de inania(s) verbalmente amorosas. Tudo o que eu tenho a dizer a tudo e a todos é OBRIGADA!






   Ser tomado de súbito pelo passado e ser desforrado pelo medo do que estar por vir. Promessas de novos passos, sem trocar os caminhos que se percorre ou os sapatos. É represália de si mesmo. Um repto do que se pode fazer nos dias que passamos acordados. E uma certeza: disso não dá para fugir.
   Relógio.
   A não ser que, você tome de assalto um pequeno instante, antes do fim. Antes do fim do que seja. Lembrar as pegadas que foram deixadas nas pedras cheias de lodo. Das conquistas franqueadas pelo suor derramado na labuta diária. Das perdas irreparáveis que sangram no peito. Dos sorrisos, dos novos amigos que lhe mandam “FELIZ ANO NOVO!” quando soa o relógio na meia noite. Dos que negam perdão e dos que se foram, quando aquele lugar na mesa que está vazio. E há aquele instante, pequeno instante, que você conta regressivamente o minuto do adeus.
   10, 9, 8.
   Aqui estou eu, querido ano 2013, me vendo ver a lista de aprovados. Vendo a Engenharia Química me roubar à paz, mas me dar os sonhos tão floreados de cômputos e reações. E eis me aqui, reagindo como uma idosa ao ver pela primeira vez o primeiro neto. E eis me aqui, sem uniformes, na universidade. Conhecendo, quem sabe, a melhor amiga do mundo, a pessoa que procurei sem lenço nem documento e enfim, encontrei. Encontrei com quem contar números ou estrelas. Encontrei Jéssica. Quimicamente pronta para levar novos livros na costa, pronta para recomeçar outros caminhos. Engenhamente ao redor de lindas e maravilhosas colegas, cujo brilho passa a iluminar meus passos.
   7, 6, 5.
   Ali estou eu, pulando com a Danny e a Jéssica ao som de Engenheiros do Hawaii. Nesse mundo de gente, tentando camuflar a nossa Infinita Highway, como um refrão de bolero em um piano bar. Como só Clarice Lispector poderia explicar. Amigos que juntam as penas e lhe fazem voar. Enfim, encontrei com quem procurar alguma forma de pular os muros e as grades.
   4,3.
   Assim estou, partida e estilhaçada como a mais velha porcelana quebrada no chão. Dizendo adeus à minha prima e acolhendo essa saudade no peito. Câncer que deixou um lugar vazio e irreparável, que sujou o chão de lágrimas e que fez do epitáfio uma canção de amoDOr. Desta forma, ouço pranto, cheiro de rosas veladas e minha prima humildemente voltando para a terra ferida que me manchou. A Deus!
   2.
   O instante parece parar e respirar enfados de loucura e dor, enquanto meu coração ameaça descansar. Batendo de modo que, não batesse e levasse de mim um presságio feliz de longevidade. Preparando os lábios para dizer adeus, para recusar o amor antes que esse me tomasse o ser, antes de me engenhar na casmurrice dos longos anos. Mas um segundo e ele volta a bater, trazendo dor e lassitude. Só que veio de presente, a mesma vida a encher-me os pulmões. Respire, relaxe. Vai passar.
   1.
   E esse instante, instante final, me pego olhando para meus pais abraçados, o sorriso de minha avozinha ao ver mais uma chegada, os cachorros com medo dos fogos, meu tio infelizmente bêbado tentando levantar, minha casa, o rádio encantado, os livros na estante, as decoração da mamãe, a carne no fogão, os pulos, o celular anunciando mensagens, a cadeira vazia, o coração batendo, as notas universitárias, os amigos gritando, um blog (des)esperado e (en)gaiolado, um quem sabe amor para vida toda. E somente uma certeza: este é só o começo.
   2014.


Alline Corrêa Frazão – 31/12/13 às 13h34min.

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