Palavras pequenas

Nota: E tudo é correr atrás do vento... É vaidade.





   Adianta eu falar? Ou melhor, escrever? Palavra escrita ou falada, se não tiver oportunidade de entrar em terra estranha, não pode permanecer sã. E da mesma forma, se não for renovada entre os campos entreabertos, ela perde o sentido e o motivo de existência. Você acaba perdendo também. Aliás, o que é o homem além de suas palavras, (sejam as reprimidas ou exprimidas como laranjas) se tudo o que ele tem são bugigangas guardadas?
    Abra o baú. Eu sigo a tendência dos fatos ocorridos, concordando que seu passado tem muito a dizer sobre você. E por mais que acredite que o presente deve ser contemplado de forma soberana, não vou desconsiderar os passos que ficaram para trás. Porque o presente é tão incerto, quanto o futuro e passa tão rápido, quanto um carro veloz. As coisas mais incertas que tenho nas mãos são as cartas passadas. E eu vou lê-las, palavra por palavra. Mas não com o intuito de usá-las como apara passos, como justificativa de seus erros e sim, como forma de entendê-lo da maneira mais simples possível. Tenho remédios e doenças como você.
   E como um doente, espero ansiosa a cura. Ando pelos corredores sanguíneos dos hospitais, esperando um soro frio e renovador. Só que, por mais que não pareça, eu sempre paro e penso. Eu não preciso de ninguém para encontrar isso. E também não preciso de mim. Vem na medida certa, na hora certa, a dose de clichê da vida comum. E essa doença é o amor. E esse mesmo amor é o remédio. A dose é o que diferencia o efeito.
   E enfim, adianta falar, ou melhor, escrever. Pelas esquinas-ruínas, ou pelos corredores-palavras e assim, a poesia. E como poesia-vida-viva, eu flano pelos bancos das praças deixando a tristeza e trazendo um chiado no peito. A febre que me atinge e me tinge de Frida Kahlo me dá as palavras que faltam em sua boca. E acredite, eu amo ouvir. Falar nunca foi meu sal. Por enquanto, espero um grunhido. Não sei temperar comida.
   E por ser uma mulher justa, eis o baú. Abro também. Mexa, futrique como quem caça um anti-tesouro (treo e eritro). Depois jogue no seu pulmão esse vento de palavras, respire e chie como uma chaleira antiga sem medo e receio. O amor é tão tempestivo, mas seus ventos levam para um porto. Seguro ou não, pode ser um racemato.
   Venta! E eu mergulho nas palavras. Eu escrevo. Eu desenho. Eu canto. Mas nada me preenche tanto quanto a possibilidade. “Que pra sempre viva!” o sorriso e o adeus. À Deus! Porque os anjos dançam ao seu redor. Nenhum vento de palavras pode lhe derrubar, pelas esquinas, pelos olhares, pelo amar. Até porque, são palavras pequenas. Eu persisto em ouvir minha vã convivência, co-requisito de uma vida bem amada. O céu está azul. E também são palavras.

Alline Corrêa Frazão – 23h59min – 21/11/2013.

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