Depois do fim.

Nota: Nesse texto, minha amiga, fala, toca, tangencia, o inexpressível amor. Toca a sirene! Eu vou embora também.



   Não sei vocês, mas possuo uma banda que estranhamente consegue traduzir muitos sentimentos que eu mesma não consigo. São aqueles sentimentos mais obscuros e profundos, sentimentos que você procura esconder até de você mesma, sentimentos que, às vezes, só podem ser traduzidos por lágrimas ou sorrisos frouxos, depende do momento, simplesmente do momento...
   Esta banda para mim é o Pearl Jam. Conheci em minha pré-adolescência por influências, assumo, mas apaixonei mesmo na adolescência isto porque me faltava um pouco de maturidade. Hoje, faz parte da minha rotina. Pode até parecer que estou apenas falando de uma das minhas bandas favoritas, mas este não é o ponto.
   A verdade é que quando passo a ouvi-la, me trás tantos sentimentos que estavam guardados há muito tempo. Ela veio carregada, desafogando aquele aperto que, por vezes, tentamos esconder do nosso próprio travesseiro. Ressoando a quem quisesse ouvir, apenas eu é claro, aquela dor que ao experimentarmos uma vez, nunca mais gostaríamos de cogitar senti-la novamente.
   É aquela dor de reviver, me entende? Ou de entender o motivo. Por que de tudo ter desenrolado daquela forma? Por que tomamos atitudes idiotas e as pessoas também agem assim? Por que não aprendermos com os nossos erros? E é aqui que se encontra o centro do meu problema: não consigo simplesmente deixar passar, eu cobro requisito, peço justificativa constantemente de mim e dele também. Pedia.
   Sim, nós aprendemos a conviver com a dor, fingimos que esquecemos, fingimos que nos desfizemos de tudo que se possa relembrar, tudo que, por uma fração de segundo, faça ressuscitar o decorrido. E então, enche sua vida de coisas novas, faculdade, curso, emprego, amigos, festas, substitutos, inverdades, (in)desfechos.
   Até você se deparar com uma bela canção, nesse momento o replay é ativado e nos desmontamos, mas é claro que é bem escondidinho em nossa caverna escura, afinal ninguém pode nos ver desnudos assim.
   A não ser que você mesma faça isso, e é exatamente o que eu estou fazendo agora, me despindo de toda mágoa, de toda angustia, de toda dor. Somente porque eu mereço isso, você merece isso, nós merecemos isso. Pois mesmo que você nunca possa ler ou saber destas palavras ditas da forma mais sincera que eu pude expressar, eu vou saber que elas foram ditas e isso é muito importante pra mim.
   Há muito, eu disse que por mais que eu quisesse não conseguiria lhe odiar e isto ainda é verdade. Unicamente, porque amo quem você é, assim, desse jeito torto. Não há mais o que dizer. Adeus.


Jéssica Pamplona ---- 21/10/13

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