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Mostrando postagens de Julho, 2013

Migalhas de Pão Francês

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Nota: Esse texto é para um amigo, que eu demorei em chamar de amigo, mas que merece toda essa publicação. Eu nunca me senti tão liberta depois que escrevi um texto. Porque na verdade, eu demorei em descobrir que amigos não precisam ser eternos. Eles podem durar poucos anos ou a vida inteira. O que vai dizer se eles são amigos ou não, é só o tempo. É importante ressaltar o papel da obra 'Estórias Abensonhadas' de Mia Couto nesse texto. O gênero do texto? Matheus Castilho não quer saber. Nem eu, para falar a verdade. O vídeo a seguir, é uma música que Cast gosta muito e eu achei que fazia sentido com o texto que se segue. Obrigada, Cast!



      Quando chegou o tempo de partir, nós partimos. Quando partimos, fomos partidos. E quando fomos partidos, juntamos os pedaços e fizemos as malas. Resumindo, Matheus Castilho foi embora.       Hoje, eu acordei e demorei em levantar. Minha cabeça doía como se tivessem agulhas arranhando meu cérebro. Pior do que pés pesados é uma cabeça intermit…

Marca-Passo

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Nota: Esse também é antigo e também é um conto. Ele é meio denso, porque quando o escrevi estava com um turbilhão de ideias. Lembro-me que estava sentada no chão do colégio, no primeiro andar, olhando uma chuva fina que caía lentamente. E ouvia música também, mas não me lembro qual. Só sei que sentia muita dor e que tinha um papel e minha velha e boa lapiseira. Escrevi. Percebam a sonoridade e o duplo sentido que crio em todo o texto. E mais uma coisa: eu era a mulher.
----------------------------------------------------------------------       O céu estava chorando. Escorria uma lágrima fina e inconstante. As nuvens se despediam despidas do hidratado agora.
      Tinha uma mulher. E as lágrimas a molhavam. A chuva a inundava. Mas ninguém parava de andar nas ruas, todos se esqueciam de pular seu corpo caído no chão. As pessoas estavam gritando e sorrindo, flanando nas calçadas molhadas. Porém dentro dela havia bolhas tão imensuráveis, que de sua boca escorria espuma. Todos olhavam e d…

A Moringa

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Nota: Meus ex-professores classificaram esse texto como um conto fantástico. Eu me inspirei em Murilo Rubião. Na época, estava me envolvendo demais com esse tipo de literatura. Em suma, é um dos meus contos favoritos e jamais o publicaria aqui. Mas de repente, me bateu uma dor aqui dentro, como se as moringas falassem e eis que assinei essa sina. Recomendo, desta vez, 'Teatro dos Vampiros' da Legião Urbana, 'Words' de Ane Brun e 'The Funeral' de Band of Horses. Boa leitura!

      De início, a moringa sempre estava vazia. Todas as noites, ela a levava para o quarto e a colocava no criado-mudo. Antes de dormir, ela conversava com a moringa e, aos poucos, enchia-a com palavras destiladas.
      O escuro do quarto, os lençóis azuis e os quadros nas paredes refletiam, mais do que o espelho da longínqua sala de estar, uma mulher tranquila e calada. Ao contrário, sua cabeça era uma falante intermitente e dialogava com a casa, enquanto seus ouvidos se preocupavam em apen…

Medo e Rosas

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Nota: Recomendo a crônica 'Rosas Silvestres' de Clarice Lispector, 'Tempo Perdido' de Renato Russo e 'Birdcage Religion' de Sleeping at Last.
-------------------------------------------------------------------       Foi quando conheci uma rosa. Uma rosa que gostava de usar batom vermelho e de enrolar os cachos do cabelo. Uma rosa que cujo nome não posso dizer, porque ela não gostava de ser dita nem de ser lida. Era uma rosa que não gostava de ser admirada.
      Na primeira vez que eu a vi, tive a impressão que ela era tênue demais, porque andava arrastando um pouco os sapatos. Seu olhar vago, mas observador, era um convite. E eu, curiosa e em busca de amigos (porque nunca consegui tê-los), fui avistá-la, pensando que, como quem arranca rosas do jardim, podia levá-la comigo. Eu não podia, porque o pé dela não se arrastava por cansaço e, sim, por estilo. Seu olhar não era vago e observador por monotonia e, sim, por disfarce. Ela não era tênue nem podia. Era a mulh…