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Mostrando postagens de Março, 2017

Por um triz sol

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Nota: este texto começa como termina: sem nenhuma reverência ou comemoração. Até porque ciclos não possuem começos, nem finais. Apenas a velha repetição, disfarçada de algumas diferenças, mas com resultados parecidos. O que quero dizer é que não existe nenhum motivo para se comemorar o Dia Internacional da Mulher. Mulheres não possuem nenhum privilégio nesta sociedade. Seria a comemoração por estarem vivas ou apenas ter passado mais um dia sem serem estupradas? Opa! Elas são, né? Então não há motivo para comemorar. Fizeram este dia para nunca esquecer. Pelo visto sempre se esqueceram e mesmo hoje ainda fingem não ver, fingem não lembrar.


Caía uma chuva fria e fina, que adelgaçava as estruturas pelo toque, nas telhas da casa de uma família. Chuva final de inverno, trazida pelos peixes navegantes, já esperançosos pela cabeçada floral e morna do carneiro. A chuva assustou-se com o grito de Maria e se retirou. Assim que o primeiro raio luminoso apareceu entre as nuvens, ouviu-se um choro a…

Dreadnought, Virginias

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Nota: Para todas as minhas leitoras, um humilde texto e um beijo da Woolf.



                É difícil falar sobre Virginia Woolf. Eventualmente, nem Quentin Bell, sobrinho de Woolf, pudesse exprimir, mesmo com todas as informações que tinha a seu dispor, quem era Virginia. Talvez nem ela mesma soubesse. Woolf não era como um dicionário, simplificada, concisa e exata. Era mais como um caderno de poesia, manchado e encharcado por uma chuva torrencial de lágrimas.                 Se frígida, não importava! A quem afetava o “ela era”, se não a ela mesma? Toda aquela chuva de nuvem-Woolf, apesar de molhar tantos transeuntes, ocorria de suas entranhas, correndo para uma época em que tudo o que não era sol, não era considerado estrela. Mas quem limitaria um ano a uma única estação, se tantos eram os dias ensolarados?                 Sol e chuva? Chuva e sol? Virginia e Virginias. A consciência que presidia o fluxo de normalidade. A mulher que era de Bloomsbury e que era Bloom. A mulher? O lob…