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Cedo, a noite vem

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Nota: Essa crônica eu escrevi pensando em cada um dos leitores que passam por esta página. Uma parte de mim também a recebeu.

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Acordar cedo, antes do alvorecer, também tem suas vantagens. Ver o Sol se esgueirando pelo horizonte, tímido e com sono, cobrindo os edifícios com seu calor, trás – ou quem sabe, leva – a sensação do eu-só. O eu desacompanhado de promessas, mas nutrido de planejamentos, chaves, carteiras e documentos.             Eu-pó diante de extensas avenidas, ainda vazias, com os semáforos a intercalar as cores. Vermelho. Em breve, a avenida desaparecerá por debaixo de pneus desgastados e o semáforo será apenas um artifício que, amarelado, distancia a liberdade dos eu's.             Até as calçadas, com seus meios-fios brancos, separam o vazio do silêncio, numa linha tênue entre os acasos e os bocejos. Ainda que agora, o tempo não exista na dimensão dos que dormem, em breve, a cidade acordará, acenderá as luzes e os edifícios da…