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Mostrando postagens de Agosto, 2016

À Benção

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Nota: Meu amigo Matheus Castilho precisava escrever. Ou será que nós é que precisávamos lê-lo?


Tocou as águas turmalinas do oceano o sêmen de um deus.  Quisera eu que este creme fosse de Chronos; Talvez o fosse, já que agonia e sangue desviaram-se à (T)erra. Imediatamente e irascivelmente Uma estrutura âmbar materializou-se. - Oh, deve ser uma beleza! Disseram as ninfas. Regozijaram-se em cânticos de boas novas. Várias bençãos costuraram àquele casulo. Mas já era tempo de nascer. Já era tempo de os olhos se abrirem. O que fazer se a concha não se quebrou sozinha? Eu não sou Boticelli ou Da Vinci.
Rachaduras apareciam anunciando a luz. A nova vida gritava, porque não conseguia sair. E nasceu. Nasceu uma fada divina. Perfeitas madeixas enrolaram-se em crina. Só que ao romper o rebento, rebentaram-lhe as asas. De que serve uma fada que não voa? As ninfas indagaram furiosas.
As bênçãos tornaram-se asco: - Nunca há de voar - Nunca há de falar, os sons não a querem - Nunca há de estudar - N…

Sobre um homem preocupado

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Nota: Conto inspirado por Matheus Castilho. Ele é o homem de quem eu falo. Vai ver, Rubel fala dele também.



                Em Brasília mora um homem preocupado, mas feliz. Preocupado com o tamanho das ondas do mar-futuro, sem notar que seu barco-presente já é muito resistente. Ele não é um homem qualquer e nunca conseguiu ser. A presença dele preenche e aquece aqueles que nele depositam sua fé-amizade. Ele é um homem tão distinto, que não existem adjetivos suficientes para descrevê-lo. Adjetivos precisam ser inventados.                 Neste homem mora um senhor velho e educado, um pouco carrancudo, mas sábio, que carrega sua alma com as mãos enrugadas. Mas dentro desse mesmo homem, um jovem feliz e poderoso, grande e muito forte, carrega em suas mãos o velho que carrega a alma. Alma insustentavelmente pesada, mas delicada como uma pena.                 Neste homem que mora no coração do Brasil, que também mora no coração de muitos outros homens, neste homem, resiste duas forças tota…

(En)Volta

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Nota: Poesia inspirada na teoria do filme Donnie Darko (Richard Kelly), na teoria dO Eterno Retorno de Nietzsche e no livro 'A insustentável leveza do ser' de Milan Kundera, apoiada à interpretação de Gary Jules de 'Mad World' (também presente na trilha sonora de Donnie Darko). Para quem ama esse filme como eu, recomendo a interpretação da turma do Pipocando [Clique Aqui].




De tempos em tempos, eu deixo artefatos para trás E eles se alojam no meu envelhecido caminho. Eles ficam pesados nas minhas costas. Quando eu for fazer o looping, Será que vou tropeçar?
De quando em quando, eu volto para recolhê-los Deixando cair alguma parte de mim no caminho. Eu fico cada vez mais pesada Depois que troco um pedaço de mim Por um artefato de um tempo qualquer.
Enquanto, todos esperam meu sorriso E tudo o que eu tenho para oferecer É um sorriso triste e eu sei Que este é o meu pior tempo E é o espaço que eu levarei para terminar.
Então, não me esperem no fim. Como também não me esper…

Ode à lembrança

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Nota: Sobre o motivo do meu sumiço. E isso é o máximo que posso falar ou o máximo que consigo. É o que eu tinha para dizer. Obrigada!



                O teto branco era o meu apogeu. Com as mãos ocupadas com as agulhas, era no teto branco e imaculado que eu conseguia escrever. Escrevia tanto de dia, quanto de noite. Escrevia porque sentia falta do Sol, das árvores secas e das pessoas apressadas que tropeçavam em mim. Sentia saudade das pessoas que amava, dos latidos dos meus cães, dos meus livros e da minha calculadora velha. Eu sentia falta de mim.                 Eu sentia meu corpo se afundando no mar profundo daquela maca. A maca era azul, rasa, infindável em sua dureza. Mas eu me afogava. Era muito líquido me inundando, me enchendo, aos poucos, como uma pia se enche com o pingar de uma torneira estragada. E como pia que se abarrota de água e começa a molhar o chão, eu também molhava. Molhava os olhos da minha família, das enfermeiras, dos amigos. Mas não molhava os meus.          …