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Mostrando postagens de Setembro, 2015

Sobre escrever

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Nota: O tema do fluxo (in)fixo, dessa vez, é um tema muito abordado por todos os escritores desse vasto mundo. Eu e Matheus pensamos em escrever sobre escrever também. E aqui estão, dois textos totalmente distintos em suas cargas emocionais e estrutura, mas unidos por um tema imaculado. E para vocês, queridos leitores, o que é escrever?


Um papel... Doce.
            Recentemente, gastei tempo dentro de um sebo. Levei algumas obras clássicas. Sebos são ótimos para isso. Os clássicos que ninguém mais quer que, muitas vezes, você não teve tempo de ler no colegial, são jogados a desventura das estantes ensebadas. Eu não sou muito rigorosa quando compro algum livro do sebo, em relação quando vou às livrarias convencionais. No primeiro, eles não precisam estar impecáveis e me é até agradável ver as marcas do tempo, os arranhados, as orelhas-de-burro, as anotações e até dedicatórias. Isso, quando a equipe dos sebos não dá uma restaurada geral. A verdade é que eu gosto do gosto amargo do tempo,…

Contramão

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Nota: Poesia simples, simples como eu. Pra ler em menos de um minuto e soltar os pássaros. Obrigada!



Disseram que eu nasci muito emudecida E que fui criada como barco à deriva. Narraram palavras que não foram pronunciadas Enquanto, anunciam minha morte pré-datada.
Mandaram-me segurar um bisturi Tendo recusado, jogaram-me ao júri. Condenaram- me pelas escolhas poéticas E pelos acasos engenhosos da ética.
Rasgaram meu papel querido Arrancaram o lápis de minha mão. Tentaram manter-me ferido Eu sempre vou pela contramão.
Se prendem meus pássaros no cativeiro O meu canto não irei poupar. De suas casas, eles ouvirão meu berreiro. Até meu peito esfriar.
O meu gazeio não é líquido Nem é vazio o meu cantar. Se eles soubessem por onde tenho ido, Haveriam de se calar!
E se dizem que muito tenho dito Voo-me. Eles muito não entendem, sinto. Só, sou-me.
E se assim tendo a ser, Sabiá me ensina a aprender. Se eles atiram palavras Nem todas comporão a minha safra.
Até me indicaram a complexidade, Mas eu almejo – ao menos nessa vez…

Tempografia

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Nota: este é o meu conto mais longo. Não pretendo esconder nada. Ele é simples e transparente. Aliás, todos já ficaram enovelados ao tempo. Que o recado seja dado. Leiam!



Eu sou Rua Brooklin, quadra 36, lote 7, Condomínio das Palmeiras, Bloco D, nono andar, apartamento 975, Cidade dos Funcionários, São Paulo, São Paulo, Brasil, CEP 78690-000. No último mês, eu recebi uma visita, doze correspondências – das quais eram dez cobranças e contas, um panfleto de inauguração de um restaurante e o outro eu perdi no elevador – dezesseis encomendas prontas de comida japonesa do Combo número 8 e quatro livros. Recebi R$ 5874,89 pelo trabalho e suas incontáveis formas de pretender dinheiro por mérito. Aliás, paguei minhas contas com alívio. Tive várias notificações e mensagens de diversos amigos nas redes sociais. Não as contei. Não as lembro. Não as senti. No começo dessa semana divinamente normal, amanheci com gripe. Dr. Felipe me disse que minha imunidade está baixa, resultado do estresse cotidia…