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Mostrando postagens de Abril, 2015

As mãos da serpente

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Nota: Este conto foi escrito antes do último texto publicado "Peçonha", mas só agora venho publicá-lo. Temeis? Eu temeria!

“Nós somos ridículos, levianos, cheios de maus hábitos, sentimos tédio, não sabemos olhar, não sabemos compreender, ora, todos nós somos assim, nós todos, e tanto os senhores quanto eu, quanto eles. Porque os senhores não vão ficar ofendidos pelo fato de eu estar lhes dizendo isto na cara, dizendo que somos ridículos. E sendo assim, por acaso os senhores não são material? Sabem, a meu ver, ser ridículo é às vezes até bom, até melhor: é mais fácil perdoar uns aos outros, é mais fácil fazer as pazes; não se vai compreender tudo de uma vez, não se vai começar diretamente pela perfeição. Para atingir a perfeição é preciso primeiro não compreender muita coisa. E se compreendemos muito rapidamente vai ver que não compreendemos bem.”
— Dostoievski

                O chão estava cheio delas, serpenteando como se ouvissem algum ritmo latino, arrastando suas escamas …

Peçonha

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Nota: O sumiço desta que lhes escreve se deu exclusivamente por causa de um longo hiato. Neste período, estive me abastecendo de Tolstói, Dostoiévski e Hermann Hesse. Talvez, esses ilustres escritores e as minhas últimas leituras justifiquem o tema do poema a seguir. Um poema simples para recomeçar. E essa música sempre me lembra o tema. Então, prazer à todos, novamente! Eu sou Alline. Não diria uma nova, porque tenho estruturas velhas compondo novas coisas, mas outra figurante. Um primeiro hiato. Virão outros mais...




Da janela vejo o Sol embaçado Pelas nuvens tímidas que disfarçam, Os segredos contados aos ventos E que eles continuam procurando nos conventos.
Eles que despencaram das árvores, Bateram com as cabeças na grama, Vomitaram a si mesmos – progenitores Do vácuo de suas entranhas.
Procuram no percalço alheio, o encalço divino. E bebem cupidez como vinho. Excogitam-se com filósofos e santos, Enquanto serpentes protelam seus antros.
Vestem-se de sobretudos de lã, Aquecem o corp…