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Mostrando postagens de Novembro, 2014

A mancha de açafrão

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Nota: Antigo. Passivo de esquecimento. Ah! Vou deixar ele entrar para minha história. Por que não? Segue-se um conto fantástico tecido pela espinha.



   O cômputo estava errado. Aqueles números jogados na escrivaninha logravam-na. O escritório em silêncio deixava escapar um eco nas paredes azuis de suspiro intenso e sobrecarregado. Desanimada, apoiou o pulso na fronte e retirou os sapatos pretos esticando os pés. Respirou por um longo momento. Levantou a cabeça introspectivamente e desligou o computador (que respirava como um dragão resfriado). Com um movimento ágil, girou a cadeira e se pôs de pé. Corpo erguido, sôfrego, mãos paradas, olhos cabisbaixos, disse para si mesma:    _ Talvez o cômputo errado aqui seja você, querida. Será que você não percebe que não tem nem a pergunta? Que dirá uma resposta. Vá para seu quarto, tome um banho frio, deixe os números descansarem.     Saiu para a sala, subiu as escadas, entrou no quarto e retirou suas roupas. Agora, a água caía em seu corpo e esco…

A pintura

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Nota: É um conto antigo e um retrocesso pessoal - ria-se - mas eu gosto muito dele. A pintura de uma mulher que se descobre... Não digo mais nada! Estarei disponível para esclarecer aos leitores interessados por qualquer meio de contato disponível na página do blog. Bendigo aos leitores, a inspiração na pintura.


   Um grito rompeu o horizonte e foi exatamente nessa ordem cronológica. A alva face resplandecia um agouro soluço. De maneira boçal, ela começou a ópera.    O mundo mortal girava, transladava em elipses faceiras e tristonhas. A rua suja de lua corria como a chuva quando cai escorrida dos telhados. Apenas olhou lá fora, viu pessoas correndo na chuva e pequenas gotas correndo na vidraça azul. A cortina sofria ações de um vento ocidental, frio e selado. Eram quatro paredes pintadas de alguma cor não descoberta. Ela se levantou e se pintou descobertamente sem se importar com o olhar bisbilhoteiro do vento.    Sentando, já pintada, na cama escorreu-se pelos telhados sinápticos e chor…

Sobre esperançar

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Nota: Desejem-me muita temperança. Irei comprar novos balões. Obrigada, leitores!




                Há, nesses tempos inconstantes, uma separação silábica interessante. O ho-mem hirto e a mu-lher escorre. E-le, adjetivo. E-la, verbo. Todos, sem exceção, estão fazendo hematoses.                 Quando eu era criança, acreditava mesmo na história do Pithos de Pandora. Chegava a imaginar a pobrezinha da esperança presa na caixa, tentando sair, mirradinha e exaurida, definhando por causa de um varão qualquer. Hoje, flano descalça pelo meu quarto, ouço uma boa música e danço um pouco zonza e coberta por meu vestido rasgado – insubstituível por qualquer peça da moda – e penso que a esperança é um balão de ar, daqueles de festas infantis. E acho que essa ideia está para mim como o helenismo está para a Grécia.                 Enquanto o heliotropismo é para todos, alguns se escondem nas penumbras. Gostam de viver no escuro como morcegos, com as cortinas fechadas como se temessem um ataque de a…