Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2014

Sobre o eterno retorno e algo mais

Imagem
Nota: Influencia advinda do meu lar, da Insustentável Leveza do Ser, de Nouvelle Vague. Com a honra de ser revisada por Patrícia Pinheiro. Sim, senhoras e senhores! Que honra!



                Lembro-me de um tempo, longínquo, mas saboroso aos lábios, tempos de meninice. Desde aquela época, minha casa sempre esteve em reforma. Nunca, em hipótese alguma, houve um mês em que a casa esteve terminada. Havia sempre - e ainda há algo que deve ser arrumado- algo pingando, algo caindo ou despencando. É engraçado pensar em como o inacabado sempre fez parte da minha vida e em como eu vivi em um ambiente de constante mudança o tempo todo. Assim, tão perto de um tanto que possa ser chamado de meu.                 Contudo, aquele cabo elétrico dependurado no teto por causa da lâmpada que não acendia na sala de estar, no mês de inverno, nunca nos impediu de comermos juntos, todas as noites, quando papai chegava cansado do serviço e mamãe fazia uma jantinha depois de um dia, também cansativo, de dona…

Có(cegas)

Imagem
Nota: Dos vários recortes de minha alma, alguém me inspirou um recorte maior. E este é o homem que só faz cócegas quando quer. Logo em mim, có-pessoa que pode mudar a muda do lugar. Ainda espero. Ainda.



                A muda foi plantada em um vaso pequeno e redondo. Todos os dias a senhora regava o vaso seco. Todos os dias ela gerava um vaso morto. Até que a muda fitou viuvez.                 A fanha comprava farinha pela manhã. Lavava a fronha do travesseiro, porque molhava toda noite. E o travesseiro florescia, crescia. De noite, ia se secar na cozinha, mexer com a farinha, fanar sua dor.                 Todo mês ele plantava bananeira. Chovia penca no quintal. Que pena que a penca despencava toda vez que o vento soprava. De dúbias ideias, comia banana nanica. Considerava-se um ba(na)nal.                 Toda sexta a cega comprava acelgas. Enchia sua sexta e ficava apaixonada. De todas as folhas que encontrava em seu peito, essa era a mais sadia. Do céu pendia a sexta cega do dia. …

Sol de bolso

Imagem
Nota: Nesta noite de primavera central no Cerrado, veio-me à mente a ânsia do que é sentir o nada trazer a pessoa amada. As memórias se resgatam e nos enchem de alegria fantasiosa. Isso está me lembrando o verão quente e seco de Aix-en-Provence. Façam proveito. Tenham na mente um homem de camiseta, bermuda e chinelos caminhando em direção à praia de água azul-turquesa do Mediterrâneo. Ao fundo há uma grande montanha e ao redor extensos campos de lavanda. Obrigado!


“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma…

Enquanto... os telhados voam

Imagem
Nota: Só não desistam do amor. Só não temam dizer que amam, mesmo que não sejam correspondidos. O amanhã é imprevisível. Os pássaros que ouvimos cantar hoje não serão os mesmos de amanhã.

               Provavelmente, ambos entraram no automóvel, animados com a viagem, planejando as visitas aos parentes mais próximos, que há meses, não se viam. Trocaram-se beijos e carícias antes de ir e alguns sorrisos. Ansiava ver o cunhado doente, fazer algo por ele, dar um abraço. Ela queria comer o bolo da irmã mais velha de seu esposo e conversar um pouco com a irmã mais nova. Eles que dirigiram por alguns quilômetros. Bateram. Perderam. Sangraram. Ela que se foi. Ele que se partiu. Ele que ainda não sabe que ela não está. Não está. Não está aqui.                 Nesse exato momento, esta que lhes escreve saía do hospital, lacônica e exausta. Havia, e ainda há alguns hematomas na minha mão esquerda devido ao soro, as injeções e os remédios. Meus cabelos enrolados davam voltas em meu pescoço e m…

O (guarda)napo

Imagem
Nota: Só para esclarecer. Isso não é fraqueza. Insustentável seria fingir ser algo que não sou. Sem vergonha e sem ressentimentos. Toda forma de amor, mesmo que dor, é bonita. Mas algum guardanapo deixou de guardar algo. Só para crescer. Isso não é...